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domingo, 28 de setembro de 2014

0 Maconha diminui chances de jovem conseguir diploma

Segundo novo estudo, adolescentes que consomem a droga diariamente são 60% menos propensos a concluir estudos na escola ou em ensino superior

Maconha: Droga prejudica desempenho escolar e favorece uso de outras substâncias ilícitas, segundo estudo (David Bebber/Reuters/VEJA)
Adolescentes que fumam maconha com frequência têm menos chances de concluir os estudos na escola e de conseguir um diploma no ensino superior do que jovens que não são usuários da droga. É o que descobriram pesquisadores após analisarem os resultados de pesquisas feitas anteriormente sobre o assunto. O trabalho ainda indicou que o uso da maconha aumenta em até oito vezes as chances de os adolescentes consumirem outras drogas ilícitas nos anos seguintes.

A nova pesquisa, feita por especialistas da Austrália e Nova Zelândia, se baseou nos dados de 3 765 pessoas que fumavam maconha e que fizeram parte de três estudos científicos sobre os impactos da droga na adolescência. Segundo a análise, publicada nesta terça-feira no The Lancet Psychiatry, fumar maconha todos os dias antes dos 17 anos diminui em até 60% as chances de o adolescente concluir os estudos em comparação com nunca ter usado a droga.

“Nosso estudo fornece uma evidência consistente de que prevenir ou postergar o uso de maconha pode promover amplos benefícios sociais e de saúde”, diz o coordenador da pesquisa, Richard Mattick, professor do Centro Nacional de Pesquisa em Álcool e Drogas da Universidade de New South Wales, na Austrália. “Iniciativas para reformular leis sobre o uso de maconha devem ser avaliadas cuidadosamente para garantir que o uso da droga entre adolescentes diminua.”

Fonte: Veja


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

0 Jovem de 19 anos é presa no aeroporto de Natal com 4,8 kg de cocaína

Kívia SoaresDo NE10/Rio Grande do NorteFoto: Divulgação/PF

Cinco "tijolos" de cocaína estavam com a jovem que havia acabado de desembarcar do Mato Grosso do Sul.

Uma jovem de 19 anos foi presa em flagrante pela Polícia Federal (PF) ao desembarcar no aeroporto Internacional Augusto Severo, na Grande Natal, com 4,8 kg de cocaína escondida na sua bagagem. Ela chegava na capital potiguar, na noite dessa terça-feira (6), vinda do Mato Grosso do Sul. Segundo informações da Polícia, ela foi pega quando as equipes realizavam inspeção de rotina na área de desembarque.

"Os agentes federais estavam inspecionando a área de desembarque dos voos domésticos e perceberam que uma passageira ficou bastante apreensiva quando a sua bagagem, então foi submetida ao aparelho de raios X", informou a PF em nota.

Ainda segundo a Polícia Federal, eram cinco “tijolos” de cocaína que escondidos entre as roupas e misturados com naftalina para tentar disfarçar o cheiro da droga.  No interrogatório, a jovem afirmou que estava transportando os entorpecentes a mando do seu companheiro, que atualmente cumpre pena também por tráfico, em Campo Grande (MS).

"A acusada porém não revelou a quem entregaria a cocaína em Natal. Apenas disse que seria procurada, provavelmente, por uma mulher, tão logo chegasse ao aeroporto". acrescentou a PF.  A mulher foi enquadrada na Lei de Entorpecentes e está custodiada na sede da Polícia Federal, em Natal, onde deve permanecer  à disposição da Justiça.

Somente em 2013, o total de cocaína apreendido pela Polícia Federal no aeroporto Augusto Severo, já alcança os 12,5 kg.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

0 A "bolsa crack" é um desperdício?


08/05/2013 - 07h58

Depois de uma série de insucessos (previsíveis, diga-se) no combate ao crack, o governo Alckmin lança um projeto de internação aos dependentes, oferecendo uma quantia às famílias no valor de R$ 1,3 mil mensais.

Já consigo ver os batalhões de tolos classificando a chamada bolsa crack de desperdício de dinheiro, fazendo comparações com o salário de um trabalhador.

A medida não é suficiente --mas está certa. E é caro mesmo. Veja quanto uma família de classe média para tratar, numa clínica particular, um dependente de drogas ou álcool.

O que se criticava (e com razão) é que o sistema público não oferecia leitos suficientes para os dependentes. Se vai oferecer agora, não sei. Mas o fato é que, com esse valor, pode-se credenciar uma rede de instituições privadas.

Ilusão imaginar que só com polícia e assistência social iríamos enfrentar o crack.

É um trabalho que envolve a família, a escola, a comunidade. E, para ter algum efeito, psiquiatras, medicando remédios. No meio disso, terapia e um esforço de socialização das vítimas das drogas.

Mesmo assim o que podemos fazer, na maioria dos casos, é reduzir os danos.

Como sempre digo aqui: problemas complexos exigem soluções complexas e cara.

O resto são saídas simplórias, como imaginar que a redução da maioridade penal vai nos deixar mais seguros.

*

Por falar em redução de danos, vale lembrar uma experiência da Universidade Federal de São Paulo. Fez com que os dependentes trocassem o crack pela maconha --e obteve bons resultados.


Gilberto Dimenstein ganhou os principais prêmios destinados a jornalistas e escritores. Integra uma incubadora de projetos de Harvard (Advanced Leadership Initiative). Desenvolve o Catraca Livre, eleito o melhor blog de cidadania em língua portuguesa pela Deutsche Welle. É morador da Vila Madalena.

Fonte: Folha de São Paulo.


quarta-feira, 27 de março de 2013

2 Crack! Areia Branca pede socorro.


Na década de 90 a maioria das viagens que fazia ao nordeste, saindo do sudeste, era feita por ônibus, como a grande maioria dos migrantes nordestinos que voltavam pra sua terra natal a passeio ou pra ficar. Nesse tempo, viajar de avião era coisa pra rico. O percurso de Santos, São Paulo até Areia Branca no Rio Grande do Norte era longo e cansativo. Quase três mil quilômetros de estrada e a viagem levavam três dias e duas noites. Parecia que nunca ia chegar. A vinda era cheia de alegria e expectativas de revê a sua gente e sua terra, mas a volta era melancólica e triste, cheia de saudades dos dias de alegria que havia passado junto a tantas pessoas e lugares que amava. O ônibus da vinda sempre que parava nos pequenos postos rodoviários de cidadezinhas do interior do nordeste, era subitamente rodeado de crianças, homens, mulheres e até velhos que vinha vender suas cocadas, picolés, milho assado, biscoitos e muitas outras coisas. Muitas dessas crianças e jovens, sabendo que se tratava de passageiros provenientes de São Paulo, se punham a pedir uma moedinha de real para ajudar a comprar comida para si e suas famílias.

Na última década as coisas mudaram muito e houve maior distribuição de renda entre os mais pobres, especialmente no nordeste. Já não é tão comum encontrar essas pessoas vendendo "coisas" e pedindo uma “pratinha” nas paradas. O migrante nordestino passou a viajar mais de avião e menos de ônibus.  Hoje somos abordados o tempo todo por adolescentes e jovens pedindo dinheiro, mas não mais pra comprar comida e sim drogas, especialmente o crack. Essa é a atual realidade infelizmente de minha cidade Areia Branca no Rio Grande do Norte bem como de muitas espalhadas por todo o Brasil. O crack rompeu fronteiras e hoje é a droga do caos social nas grandes, médias e pequenas cidades brasileiras.

O drama dos viciados e suas famílias nas pequenas cidades, como Areia Branca, tem mais um elemento perverso, a falta de estrutura pública e familiar para prevenir, tratar e combater esse mal. Essas cidades se tornaram reféns do crack e pedem socorro.

Ao testemunhar tantos dramas de viciados e suas famílias, resolvi sair a campo e pegar alguns testemunhos  e fotos de jovens dependentes nas ruas de Areia Branca que passo a transcrever abaixo, preservando as suas identidades.






E.P.S. tem 35 anos de idade, soldador de profissão, já foi casado e tem cinco filhos. Oriundo de família bem conceituada na cidade, seu pai recebia pensão da lei de guerra e pode ter uma vida de bom padrão financeiro. Aos 13 anos começou a ter contato com as chamadas drogas lícitas, como cigarro e bebida alcoólica e aos 14 anos teve contato com a maconha, loló e cola. O uso dessas substâncias ilícitas o levou a experimentar aos 18 anos o crack.

Com a morte dos pais, ficou morando na casa dos mesmos e casou-se. Do casamento teve dois filhos com a esposa legítima. Os constantes problemas com uso da droga levou a separação do casal e por causa de muitas dividas contraída, perdeu a casa onde morava. Hoje mora num quarto alugado e pago por seus irmãos.

Diz que foi internado numa clinica por sua família, mas devido à falta de estrutura da instituição e maus tratos, abandonou o tratamento.

O mesmo relatou que certa vez foi humilhado por um traficante ao tentar comprar crack com R$ 4,75 (quatro reais e setenta e cinco centavos), e o mesmo negou e disse pra ele trazer os outros R$ 0,25 (vinte cinco centavos) e que ele era trouxa. Pois o dinheiro da droga servia pra ela comer bem, beber e sair com qualquer “rapariga” que quisesse, além de andar de carro novo. Também diz que já foi espancado por causa do vício.

E.P.S. diz que os poderes públicos de Areia Branca, como a prefeitura, tem que fazer alguma coisa para mudar essa situação e pede a implantação de um programa eficiente de prevenção e tratamento dos viciados, bem como, apoio e assistência as suas famílias.

F.S. tem 20 anos e desde os 14 anos faz uso de crack. Foi abandonado pela mãe ainda criança, juntamente com seu irmão que veio a falecer num acidente de moto e passou a ser ciado pelo pai e avós paternos. Seu pai é um alcoólatra e com a morte do avô, as coisas ficaram bem piores. Seu pai se entregou de vez a cachaça e cometia maus tratos a sua avó, que foi internada na casa do ancião pra preservar a sua integridade física. Coma internação da mesma, que mantinha a casa com sua aposentadoria, ambos, pai e filho, ficaram na rua da amargura. Pra continuar a usar a droga, passou a ceder a casa para outros viciados fumarem e assim ganhava algum resto da “pedra”. Em pouco tempo, a sua casa passou a ser um ponto de usuários de crack e as poucas coisas que sua avó havia deixado na casa, se acabaram ou foram vendidos. Hoje, ele diz que a casa nem portas e janelas tem mais. Largou os estudos muito cedo e até mesmo a aula de capoeira que fazia no Centro Juvenil da cidade abandonou por causa do vício. Vive perambulando pelas suas da cidade com os pés descalços e roupas sujas, pedindo dinheiro e se prostituindo para usar drogas e comer alguma coisa.

O jovem F.S. disse que se tivesse uma oportunidade pra se internar e se tratar, não pensaria duas vezes e aceitaria, pois não aguenta mais essa “vida”.  Pede ajuda aos poderes públicos.

Poderia ficar aqui escrevendo centenas de depoimentos de usuários de crack em nossa cidade, pois hoje Areia Branca vive uma epidemia da droga e não vemos nada ser feito para atenuar esse drama social. Buscando tampar o sol com a peneira, se atribui a falta de policiamento, os altos índices de violência urbana que vem assolando a cidade nos últimos meses, contudo, estudos recentes da ONU dizem que politicas sócias reduzem em muito esse problema. Essa violência que assistimos atônicos e perplexos tem a sua origem nas drogas e esta por sua vez, na omissão do poder público e sociedade. Tráfico de drogas é caso de polícia, mas a prevenção e tratamento dos dependentes químicos e ajuda as suas famílias, é caso de política social. Seria leviano e parcial se dissesse  que este é apenas um problema de Areia Branca, pois infelizmente não é. É um drama nacional, mas por aqui existe um fator que potencializa isso, ou seja, a falta de políticas públicas como: emprego e renda, educação de qualidade, qualificação profissional, lazer, esporte e cultura, deixando a maioria das crianças e jovens ociosos e mais vulneráveis aos efeitos terríveis das drogas.

A batalha contra as drogas através da prevenção e tratamento dos dependentes químicos não é fácil, mas é possível vencermos essa guerra se todos nós, cidadãos e cidadãs areia-branquenses derem as mãos e juntos, poderes públicos e sociedade civil organizada buscarem as soluções através de uma ampla conferência municipal, envolvendo toda a população e as autoridades competentes.




 

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